Quase em simultâneo com a divulgação, feita ontem pelo canal Now, da sondagem que coloca o PSD em terceiro lugar, atrás de PS e Chega, Carlos Eduardo Reis, uma das mais influentes vozes não-alinhadas do partido de Luís Montenegro, deixou um sério aviso ao seu partido: "O Chega quer acabar com o PSD", afirmou em entrevista ao Expresso.

Com o Congresso Nacional do PSD, que decorre este fim de semana em Sangalhos, à porta. Carlos Eduardo Reis, presidente da Distrital de Braga deixou um sério aviso à direção social-democrata sobre a estratégia a adotar perante o crescimento do Chega, curiosamente no mesmo dia em que tudo indica que o partido de André Ventura votará ao lado do PSD na aprovação do controverso 'pacote laboral'.

O autarca em Barcelos e antigo deputado defende que o PSD deve evitar qualquer aproximação política que contribua para normalizar o partido liderado por André Ventura. “O Chega quer acabar com o PSD”, afirma, sustentando que a principal força da direita radical procura ocupar o espaço tradicional dos sociais-democratas e substituir-se ao PSD como principal partido do centro-direita português.

Carlos Eduardo Reis, que também é colaborador do 24 Horas, onde é comentador residente do programa 'Zona Franca', alerta para o risco de colocar PS e Chega “no mesmo patamar”, considerando que os socialistas devem continuar a ser o interlocutor preferencial dos sociais-democratas em matérias de regime. Na sua perspetiva, uma excessiva aproximação ao Chega poderá fragilizar a identidade do PSD e contribuir para o reforço eleitoral do partido de Ventura.

As declarações assumem particular relevância por partirem de uma figura que, ao longo dos últimos anos, se afirmou como uma das referências do setor crítico e independente do PSD. Antigo deputado e dirigente com forte implantação autárquica, Carlos Eduardo Reis foi recentemente eleito presidente da Distrital de Braga, após vencer a lista apoiada pelo aparelho ligado a Hugo Soares.

O dirigente defende ainda que o congresso de Sangalhos deve servir para discutir os grandes desafios da governação e do futuro do partido, numa altura em que o PSD enfrenta a necessidade de consolidar a sua posição política sem perder a sua matriz social-democrata. As suas palavras surgem assim como um dos contributos mais relevantes para o debate interno que antecede a reunião magna dos sociais-democratas.