Apesar do ministro da Defesa se fechar em copas quanto aos pormenores do negócio referente à compra das três novas fragatas para a Marinha portuguesa, começam a ser públicos alguns detalhes que ajudam a perceber o que está — e o que não está — incluído nos cerca de 3,9 mil milhões de euros anunciados pelo Governo.

Desta vez, a novidade é clara: as três FREMM EVO que Portugal vai adquirir à italiana Fincantieri não incluem helicópteros. Os navios, com entrega prevista entre 2029 e 2030, estarão preparados para operar meios aéreos e drones, mas estes ficam fora do pacote contratado.

Após a recusa de Nuno Melo, ministro da Defesa, em revelar se o preço a pagar pelo Estado português pelas três fragatas, incluía, ou não, os helicópteros, teve de ser o chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Jorge Nobre de Sousa, a vir e esclarecer a questão.

Segundo ele, a Marinha dispõe atualmente de cinco helicópteros Lynx Mk95 recentemente modernizados, cuja vida operacional foi prolongada até 2035. Será esta frota que, numa primeira fase, deverá assegurar as necessidades das novas fragatas, ficando para mais tarde uma eventual aquisição de novos aparelhos. Uma opção semelhante, recordou o almirante, aconteceu quando Portugal comprou as fragatas da classe Vasco da Gama: os helicópteros também foram adquiridos posteriormente.

O contrato inclui, porém, armamento, sobressalentes e a primeira grande manutenção dos três navios, prevista para cerca de 2035, cinco anos após a entrada ao serviço das últimas unidades. O Governo garante ainda que a sustentação dos navios durante o seu ciclo de vida será realizada essencialmente em Portugal, com a capacitação do Arsenal do Alfeite.

A revelação acrescenta mais uma peça ao debate sobre um negócio que tem sido marcado por dúvidas quanto ao seu custo global e àquilo que efetivamente está incluído nos 3,9 mil milhões. Sabe-se agora que, apesar do valor, os helicópteros não fazem parte da conta.