A cadeia hoteleira espanhola Meliá vai encerrar toda a sua operação em Cuba, a partir de sexta-feira, dia 24, pondo fim à atividade que mantinha na ilha através de 34 hotéis. A decisão surge devido às crescentes dificuldades operacionais, legais e financeiras, provocadas pelo endurecimento das sanções impostas pelos Estados Unidos.

Num comunicado enviado esta terça-feira, 21, à Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), a empresa anunciou que a decisão foi tomada pela sua subsidiária portuguesa, Ilha Bela – Gestão e Turismo Unipessoal Lda, sediada no Funchal.

Segundo a Meliá, o agravamento do contexto económico e jurídico em Cuba tornou inviável a continuidade da operação, apontando para "notáveis dificuldades de natureza operacional, jurídica, económica e financeira" que impedem garantir "a mínima estabilidade operacional".

Nos últimos meses, Donald Trump, de 80 anos, reforçou o bloqueio económico à ilha, endurecendo as sanções, proibindo o envio de petróleo venezuelano para Cuba e ameaçando penalizar empresas estrangeiras que mantenham atividade no país, por alegada colaboração com o regime de Miguel Díaz-Canel (66).

Com esta decisão, a Meliá deixará igualmente de utilizar as suas marcas no território cubano, interrompendo a atividade turística e toda a cadeia de abastecimento associada às unidades hoteleiras.

A empresa revelou ainda que está a analisar o impacto financeiro desta saída, incluindo uma eventual reavaliação contabilística dos ativos em Cuba. Os efeitos deverão ser conhecidos aquando da divulgação dos resultados referentes ao primeiro semestre do ano.

A cadeia garante, no entanto, que está a preparar um processo de transição para minimizar as consequências junto de trabalhadores, clientes e fornecedores.

Já em maio, durante a apresentação dos resultados do primeiro trimestre, a Meliá tinha anunciado o encerramento de cerca de metade da sua capacidade operacional na ilha, consequência direta do embargo comercial norte-americano.

Na altura, a empresa informou que possuía 34 hotéis, com um total de 14 mil e 53 quartos, além de dois novos projetos cuja inauguração estava prevista para este ano, mas que acabaram por ficar comprometidos.

De acordo com a Meliá, os hotéis em Cuba estiveram operacionais, em média, apenas 60% dos dias do primeiro trimestre, numa quebra atribuída, em parte, às dificuldades no fornecimento de combustível agravadas pelas recentes decisões dos Estados Unidos na região.

Esses constrangimentos refletiram-se também nos resultados da operação cubana. A taxa de ocupação fixou-se nos 34,1%, menos 6,5 pontos percentuais do que no mesmo período do ano passado e bastante abaixo da média global da cadeia, que atingiu 58,8%.

Também a receita por quarto disponível (RevPAR) registou uma descida de 8,6%, situando-se nos 34,4 euros, valor muito inferior à média de 84 euros registada pelo conjunto das unidades hoteleiras da Meliá.