Os pagamentos digitais continuam a ganhar terreno em Angola e estão a acelerar a transformação do sistema financeiro do país. De acordo com dados da Empresa Interbancária de Serviços (EMIS), apenas 10% das transações realizadas na rede Multicaixa recorrem atualmente a dinheiro físico, uma redução significativa face aos níveis registados antes da pandemia de Covid-19, quando as operações em numerário representavam cerca de 26%.

A tendência reflete a crescente adesão dos consumidores a soluções como cartões bancários, transferências eletrónicas, pagamentos por QR Code e serviços digitais disponibilizados pela rede Multicaixa. Só no primeiro semestre deste ano, os levantamentos em numerário ascenderam a 2,8 biliões de kwanzas, um aumento homólogo de 11%, mas o seu peso relativo continua a diminuir perante o crescimento mais acelerado dos meios de pagamento eletrónicos.

A evolução acompanha uma transformação mais ampla da economia angolana. Em 2019, as transações financeiras digitais correspondiam a cerca de 19% do Produto Interno Bruto (PIB); em 2025 esse indicador já atingia 31,7%, evidenciando a crescente digitalização dos serviços financeiros.

Apesar dos progressos, Angola continua ainda atrás de mercados africanos mais avançados, como o Quénia, onde as carteiras eletrónicas desempenham um papel central na inclusão financeira e na redução da economia informal. A expansão dos pagamentos digitais e da moeda eletrónica surge, por isso, como um dos principais desafios para aprofundar a bancarização, aumentar a transparência das transações e impulsionar a modernização da economia angolana.