A crise política que atravessa a Junta de Freguesia de Vila do Conde continua a agravar-se. Depois da sessão extraordinária da Assembleia de Freguesia que terminou em clima de elevada tensão, na sexta-feira, dia 5, a vereadora social-democrata Luísa Maia acusa o Partido Socialista, em declarações exclusivas ao 24Horas, de ter impedido deliberadamente o esclarecimento da população sobre as suspeitas que envolveram o ex-presidente da junta, Isaac Braga, e que motivaram a sua demissão.
A autarca sustenta que PSD, CDS-PP e Chega solicitaram uma assembleia extraordinária logo após terem sido tornadas públicas as suspeitas relacionadas com alegados crimes de peculato e utilização indevida de dinheiros públicos. No entanto, garante que a maioria socialista recorreu a um requerimento para impedir a realização dos trabalhos: "Há uma total vontade por parte do Partido Socialista de não dar satisfações e de não esclarecer a população nem os eleitos da Assembleia de Freguesia. As pessoas estavam lá para ouvir explicações e a assembleia terminou antes de começar. Isto é gozar com a cara das pessoas."
Luísa Maia acusa ainda o executivo de continuar sem facultar documentos pedidos pela oposição e considera que a atual liderança da junta atravessa uma grave crise de credibilidade. "Nós já voltámos a pedir documentos. Ninguém nos fornece documentos até ao momento. Estamos numa situação de irregularidade atrás de irregularidade", afirmou, defendendo que a população continua sem respostas sobre a gestão da autarquia.
Sobre os incidentes registados à margem da sessão, que motivaram a intervenção policial, anunciados oportunamente pelo 24Horas este sábado de manhã, a vereadora rejeita os relatos de confrontos físicos graves. "Não houve agressões físicas, pancadaria. Houve empurrões e gritos..."
Segundo a autarca, os momentos de tensão surgiram quando algumas pessoas tentavam filmar o que estava a acontecer e outras procuraram impedir essas gravações: "Isto é consequência da revolta das pessoas. Os eleitos não estiveram envolvidos em nada."
A assembleia extraordinária não será remarcada e a próxima reunião ordinária deverá realizar-se no final de junho. Para Luísa Maia, contudo, a situação política da principal freguesia do concelho tornou-se insustentável. "Vivem-se dias de absoluto surrealismo em Vila do Conde. Esta junta não tem condições de credibilidade alguma."

















