O presidente da Câmara Municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, reagiu com dureza às declarações do ministro da Educação, Fernando Alexandre, considerando que as críticas dirigidas aos projetos municipais de requalificação escolar representam “uma ofensa” aos autarcas portugueses.

Em causa estão afirmações feitas pelo governante durante uma visita ao distrito da Guarda, onde revelou que a Ordem dos Engenheiros está a realizar uma avaliação independente dos projetos financiados pelo Estado, procurando assegurar que os fundos destinados à educação não sejam utilizados em “auditórios para as câmaras, piscinas ou nada disso”.

A resposta de Piteira Lopes, que é também vice-presidente da Associação Nacional de Municípios (ANMP), não tardou, tendo o autarca social-democrata recordado que foi o próprio Estado a celebrar um entendimento com a essa associação para avançar com a requalificação do parque escolar, precisamente por reconhecer dificuldades em responder sozinho às necessidades existentes: “O Estado pediu ajuda aos municípios para resolver um problema que não conseguia resolver”, sustentou o presidente da Câmara de Cascais, defendendo que as autarquias têm sido, muitas vezes, chamadas a substituir a administração central em matérias essenciais.

Como exemplo, Piteira Lopes apontou o próprio caso de Cascais, onde o município prevê investir cerca de 100 milhões de euros até 2028 na construção e ampliação de escolas secundárias, incluindo a nova Escola Básica e Secundária de Cascais, um projeto avaliado em 32 milhões de euros.

O autarca sublinhou ainda investimentos municipais em internet, Wi-Fi, cibersegurança e adaptação de equipamentos para alunos com necessidades específicas, questionando se estes encargos podem ser vistos como “caprichos” ou antes como apostas concretas na qualidade do ensino.

Para Nuno Piteira Lopes, a educação “não é um gasto, mas um investimento”, insistindo que os municípios têm estado “na primeira linha” sempre que o Estado falha.